Como manter o tesão e não perder a alma?

Não, este blog não mudou de assunto, nem de tema. O tesão do título acima é pelo trabalho. Pela entrega. Pelo serviço. A alma é a alma do negócio. Aquele elemento intangível que faz algo ser maravilhoso e você precisa gastar uma centena de substantivos e adjetivos para explicar porquê, mas bastaria dizer: “adorei porque aquele lugar tem alma”.

Meu plano B foi construído com tesão e funciona à base dele e de muita alma. Todos os dias estamos lá, torcendo para fazer sol e procurando oferecer o melhor serviço naquele cenário de cartão postal. Não sossegamos nunca, porque a alma e o tesão não nos deixam.

Hoje, o casal “alma e tesão” me convenceu a viajar. É uma viagem de “espionagem industrial” ou de “benchmarking” para usar uma palavra que aprendi com meus amigos do marketing. Estou no litoral brasileiro conhecendo pousadas consideradas “maravilhosas” e com tarifas beeeemmmmm mais altas do que as minhas. Não pretendo aumentar meus preços. Quero apenas entender o que a concorrência tem de bom. O que oferece de diferente e melhor. E aprender com o sucesso deles para manter, na medida do possível, o meu.

De ontem para hoje, dormi em uma pousada linda e muito famosa. Cheguei em um momento perfeito para este tipo de investigação. O tempo estava cinza, portanto o sol não estava ajudando a realidade. A pousada estava praticamente vazia. Apenas o meu e um segundo bangalô estavam ocupados. Pude xeretar tudo. Realmente, eles oferecem uma estrutura sensacional, especialmente, na área de uso coletivo. É charmosa, bem decorada e com equipamentos da melhor qualidade. Custa caro para os padrões nordestinos, mas ela foi construída e ocupada por e para paulistas. Logo, a diária não foge ao padrão das praias Camburi, Maresias ou Juqueí no litoral Norte de São Paulo.

O que me chamou a atenção e me fez acordar pensando no título do post, foi um sutil, quase imperceptível, desleixo no conjunto da obra. O bangalô é maravilho. Grande, espaçoso, limpo, confortável. No entanto, o espelho do interruptor ao lado da porta de entrada está quebrado, quase esmigalhado. Não deveria. E tenho certeza que assim está porque faltou alguém com tesão e olhar apaixonado entrar lá para procurar esses mínimos defeitos e imperfeições. Um olhar de amante notaria os azulejos e rejuntes sujos no box do banheiro e, rapidamente, com uma esponjinha consertaria o defeito do objeto amado. Bastaria um esguicho para limpar a parede suja de areia no mini jardim de inverno.

Soube que o dono deste lugar expandiu horizontes e agora está com dois novos estabelecimentos. Talvez seja isso. Ele não perdeu o tesão nem alma. Apenas a fragmentou e como um sultão agora sofre para contentar suas diversas esposas. Quer saber? Vou seguir monogâmica.