A vida sem vergonha

 

Beatriz Franco, 28 anos, nasceu e mora em Santos, litoral sul de São Paulo. É jornalista e tradutora. Fala e escreve com fluência português, espanhol e inglês. Como milhares de profissionais da comunicação, foi apanhada pelo passaralho, o monstro de asas que está desertificando as redações de jornais, revistas, sites, assessorias, televisões mundo a fora. Para quem não é do ramo vale explicar: não se trata de uma crise. Não é um drama, exclusivamente, brasileiro. Trata-se de uma transformação no modelo de negócio. É global. O formato anterior que financiava os veículos impressos por meio da receita vinda do leitor que comprava na banca ou assinava e pela receita dos anúncios faliu. Os meios digitais, em sua maioria gratuitos, mudaram essa equação. O mesmo vale para a televisão, que sofre com a queda de audiência e, consequentemente, de receita publicitária. As novas plataformas digitais como Google, Youtube, Facebook fazem parte dessa mudança. Um novo modelo ainda vai nascer. Neste meio tempo, os jornalistas estão na lona, sem emprego, sem trabalho e sem ganhar dinheiro. Estão virando suco.

No domingo, ao publicar um texto sincero no Facebook, Beatriz virou um exemplo. Exemplo de transparência, de honestidade e de redenção. Depois de ficar quatro meses sem trabalho, agoniada, sofrendo no sofá de casa, decidiu enfrentar seus medos, suas vergonhas e preconceitos. Criou um plano B ao aceitar o convite de uma amiga para trabalhar de quarta a sábado como atendente em uma doceira de bairro em Santos.

Ao assumir a nova função, descobriu novos talentos. Ao ir à luta, decidiu contar o seu processo. Compartilhou suas descobertas e, consequentemente, encarou de frente os seus fantasmas. Não sabia, mas havia criado um viral (https://www.facebook.com/beatriz.franco.792197?fref=nf&pnref=story). Virou exemplo e modelo de superação. Ajudou um bocado de gente a sair do modo “pausa”. “Nunca imaginei que o meu texto teria essa repercussão. Escrevi para exorcizar a minha vergonha”, diz Beatriz, que agora exibe com orgulho a touquinha de vendedora que tanto a desestabilizou nos primeiros dias.

Você escreveu em seu texto que o pior foi vestir a touquinha. Por que?

“Eu tinha vergonha. Era preconceito. A touca era o símbolo de que eu estava, supostamente, fazendo uma atividade “menor”, inferior. Afinal eu era jornalista, falava três idiomas. É um absurdo a forma como vemos certos trabalhos. É um absurdo sentir vergonha por estar em um trabalho honesto, justo, que traz alegria para as pessoas.”

Quando a sua vergonha passou?

“Comecei a trabalhar em uma quarta-feira. É uma loja de bairro. Existe uma rotina. As pessoas chegam na mesma hora, todos os dias. Vem tomar um café, comer um pedaço de bolo. Fui sentindo prazer em atender, conversar, trocar com os clientes. Além disso, descobri que nos finais de semana, o trabalho é uma loucura. Tenho que me desdobrar para atender a todos com rapidez e eficiência. Não é um trabalho tão fácil e simples quanto parecia. Percebi que eu tinha muitos preconceitos. Acho que ao entender isso, a vergonha foi passando. Hoje estou aprendendo sobre gestão. Quero estudar, fazer cursos, posso me tornar uma empreendedora.”

E os amigos?

“Eu sentia vergonha deles também. Ficava pensando sobre o que eles iriam pensar me vendo ali servindo mesas. Outra bobagem. Acho que escrevi o texto para colocar um ponto final neste sentimento. Funcionou.”

– Como está a sua vida agora?

“Estou feliz. Faz três semanas que estou trabalhando. Gosto de atender as pessoas. Gosto de ouvir histórias. Estou interessada em aprender mais sobre a gestão do negócio. Acho que levo jeito para a coisa. Adoro o jornalismo. É a profissão que eu escolhi. Estudei muito, mas neste momento não dá para viver disso. Estou aprendendo uma atividade nova. Estou ouvindo muitas histórias, conhecendo muita gente. E agora, estou escrevendo a minha história de um jeito diferente. No fundo, também foi para isso que fiz jornalismo. Curioso, não é?”

 

 

João das Alagoas e seus discípulos mestres na arte de esculpir histórias

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Seu João das Alagoas é um mestre da arte popular. Com as mãos, molda um mundo particular. Ele é feito de barro cozido no forno. As imagens contam histórias singelas da vida na Capela, uma pequena cidade no interior das Alagoas. Seu João é louco pelo boi. Sobre as costas dele aplica, em alto relevo, um manto de personagens e elementos. O casamento. O batizado. A festa. O folguedo. É tão lindo que dá vontade de namorar, passar a mão e acariciar.  Seu João percebe quando a pessoa se apaixona pelo o que ele faz. Quando isso acontece, ele abre o sorriso e dá conversa. Conta causos e fala da sua história.

João das Alagoas nasceu João da Silva. Quando menino, com os pés gostava de jogar futebol. Era bom e, por isso, tinha o apelido de João Maravilha, uma referência ao craque Dadá. Com as mãos fazia arte no barro. Imitava os trabalhos de mestre Vitalino, de Caruaru, cidade que fica a 280 quilômetros de Capela. Foi fazendo, foi fazendo e ficando mestre. Mas ainda tinha que fazer dupla jornada como pedreiro e pintor. “Eu tinha minha família para sustentar”, conta ele, que expôs pela primeira vez em 1987, em Campinas, interior de São Paulo. “Foi lá que me deram a sugestão do nome João das Alagoas. Gostei e adotei.”

O trabalho foi crescendo. Ele foi fazendo, criando, expondo e de gerúndio em gerúndio faz mais de uma década que vive de arte. Faz bois sob encomenda. Uma peça grande e elaborada pode vale mais de 5 mil reais. Não vive sozinho. Em seu ateliê, simples e rústico, vizinho a uma escola estadual de Capela, ele começou a ensinar. Os discípulos foram se convertendo em mestres. Hoje João trabalha ao lado dos artesãos Sil, Leonilsson, vulgo Galego, Nena, João Carlos, Claudio e Van. 

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Na foto acima, ficou faltando Sil, que estava doente, e João Carlos, que ainda não havia chegado ao trabalho. Fiquei muito impressionada com o talento deles e com a generosidade de João. Depois de contar sobre seu trabalho e vender um boi para nós, que deve ficar pronto daqui dois meses, João fez questão de apresentar o trabalho de todos os seus colegas. Explicou a história do Jaraguá de Sil, mostrou no forno peças recém-queimadas por Nena e Van e descreveu com encanto o São Jorge de Galego e as miniaturas de Claudio, um mestre em esculpir  pequenino. “Nosso trabalho é feito com muito carinho. Adoramos pensar que nossas peças viajam pelo mundo levando um pouquinho de nós”, contou João, que no dia 4 de agosto de 2011  foi declarado como Patrimônio Vivo Cultural de Alagoas.
Quando dei a partida na nossa Ranger preta, carregada de peças e do carinho deles, olhei para trás para dar o último ciao e, a meu modo, agradecer por tanto carinho e beleza. Sim, eles viajam pelo mundo por meio de suas obras. Aquelas que comprei, agora, estão na minha Capela para serem admiradas por viajantes que chegam até o meu paraíso particular. Assim um novo circulo virtuoso se cria. Obrigada, João.
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Noivos de Van
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Dia de domingo de Nena
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Miniatura de fazenda de Claudio

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Árvore de Natal de Leonilson, o Galego

O plano B que saiu do armário

Despir a alma, vestindo o corpo. Despir o corpo para revestir a alma de prazer e felicidade.

Depois que conversei por telefone com a Theresa Rachel, essa foi a imagem que me veio à cabeça. Pouco antes de desligar o telefone, ela confessou que, recentemente, havia chorado de contente. Tinha realizado um workshop com ótimos resultados. Depois que as clientes se foram, sentou-se à beira do lago do sítio onde mora, no interior de São Paulo. Olhou em volta, olhou para si, reviu os últimos capítulos da sua reinvenção e não aguentou de emoção. “Mudei muito nos últimos quatro anos. O mais bacana é que a minha mudança tem ajudado outras mulheres a mudar também”, diz com orgulho na voz. O que ela faz? É terapeuta de guarda-roupas. Ahhh? Calma, vou contar e explicar.

Theresa tem 35 anos. É filha da geração X, que já nasceu no rabo do foguete. Filha de São Paulo, formou-se em Marketing e em 2009 mudou-se para Campinas para trabalhar. Foi funcionária de várias multinacionais. Tinha cargo bom, salário e benefícios atraentes. Tinha prestígio na família. Tinha o respeito dos amigos. Faltava satisfação. Faltava sentido. Faltava tesão. Acordava de manhã sem vontade de trabalhar. Vivia no automático. Trabalhava até tarde e se perguntava o que estava fazendo da vida.

“No final de 2011, a corda arrebentou. Decidi tirar férias do trabalho, do meu marido e da minha rotina. Me enfiei em um retiro de revisão de vida em um mosteiro no interior de São Paulo. O desafio era ficar cinco dias em absoluto silêncio. Tinha um caderno e uma caneta, onde fui escrevendo o que eu estava sentindo. Durante um exercício, uma voz falou no meu ouvido. Tive um insight. Lembrei que havia recebido um atendimento com uma personal stylist na Casa Natura em 2009 e que aquele trabalho tinha me encantado. Decidi que depois do retiro, estudaria para entender que profissão era aquela”.

Antes de continuar, preciso de parênteses. Theresa nunca teve closet de quarenta metros quadrados. Jamais colecionou sapatos Louboutin e não vende a mãe para ter a última Lady Dior. Não era ligada em moda nem em tendências fashionistas. A vontade de trabalhar com estilo pessoal tinha a ver com transformação e não com glamour nem grife.

“No segundo dia do retiro, tinha certeza que queria mudar de vida e trabalhar com o jeito de vestir das pessoas. Me inscrevi em um curso de personal stylist e comecei a vivenciar meu segundo momento de autoconhecimento e transformação. Entendi que tinha uma enorme dificuldade de me identificar com as peças do meu armário. Comecei a prestar atenção em mim, no porquê das minhas escolhas. A reflexão extrapolou meu guarda-roupa”, relembra.

“Percebi que não conseguia escolher uma roupa que revelasse, de verdade, quem eu era. Se eu não sabia fazer algo tão simples, como é que eu poderia escolher o rumo da minha vida?”

A reflexão é absolutamente pertinente. A roupa é nossa fina estampa. Ela fala quem somos, o que queremos e revela se estamos bem. Theresa virou o guarda-roupa do avesso e, com ele, a própria vida. Pediu demissão, se separou do marido e trocou de casa. Recomeçou. Tinha uma reserva de dinheiro e uma enorme vontade de se descobrir. A princípio, sabia apenas o que NÃO queria. Não queria trabalhar no mundo corporativo. Não queria mais usar suas roupas certinhas, normais, de cor única. Decidiu estudar. Fez cursos de formação de consultoria de imagem. Fez cursos de inteligência emocional. Foi para Miami, nos Estados Unidos, fazer outro curso de personal stylist. Na prática, foi sendo estilista de si mesma. Foi desenhando e ajustando um novo figurino para a pessoa física e jurídica que queria ser.

“Durante o mês que passei nos Estados Unidos, aprendi muito mais do que orientar clientes na forma de se vestir. Aprendi que pessoas especiais entram em nossas vidas para aprendermos e trocarmos experiências. Foi outro momento importante de autoconhecimento”, diz Theresa, que segue estudando e se preparando para ajudar pessoas a mudar de guarda-roupa, de roupa, de corpo e de vida.

Ao retornar, estava preparada para encarar a nova profissão. Também havia descoberto uma nova Theresa. Estava repaginada. Tanto que recasou com o ex-marido, que neste processo também era “outro marido”. Foi ai que decidiu começar a atender. As primeiras clientes foram cinco amigas, que a ajudaram a criar o modelo de negócio e a chegar no conceito de que não era apenas consultora de imagem mas uma terapeuta de guarda-roupa. Qual a diferença? Theresa explica.

“A grande sacada foi quando entendi que meu trabalho não era com moda, tendências, grifes de luxo e desfiles de passarelas. O que eu fazia era ajudar pessoas. Meu desejo sempre foi trazer algo mais significativo, fazer com que minhas clientes pudessem se observar, se conhecer e se reconhecer por meio daquilo que vestem e, a partir daí, ver a vida com mais prazer, propósito, amor e beleza”, define a terapeuta de guarda-roupa, que tem no autoconhecimento a sua principal ferramenta de trabalho. “A mudança na imagem pessoal é um processo que vai muito além do vestir.”

Depois da experiência com as amigas cobaias, Theresa começou a planejar o novo ofício. Aplicou todos os seus conhecimentos de marketing para dar cara à sua empresa. Montou um site muito bonito (www.theresarachel.com.br) e eficiente. Criou um conceito e uma marca. Estabeleceu que iria trabalhar em casa, no seu sítio cercado de mata e bichos, perfeito para cursos e workshops, ou em domicílio, fazendo atendimentos individuais. Criou três módulos de atendimento de 13 a 25 horas, com preços e focos diferentes. O mais completo, batizado de máster, oferece autoconhecimento, avaliação de tipo físico, análise de coloração, maquiagem, auditoria de guarda-roupa, gerenciamento de guarda roupa, pré-shopping e personal shopping e gerenciamento de guarda-roupa pós shopping. É instigante.

Ela dá um curso intensivo por mês. Também oferece cursos em empresas e para grupos fechados. Escolheu atender apenas o gênero feminino, porque acredita elas estão abertas à mudança e têm no vestir uma linguagem muito importante. “Atendo mulheres dispostas a se reinventar. Algumas se separaram. Outras arrumaram um novo emprego. Tem também as que se tornaram mães há pouco tempo e as que fizeram severos regimes e por isso precisam mudar hábitos e, também, todo o guarda-roupa”, conta Theresa. A propósito, ela, em breve, pretende outra mudança radical: quer ser mãe.

Proprietária de uma micro-empresa, com CNPJ e inscrição estadual, Theresa está exultante. Ganha bem mais do que quando tinha crachá de uma empresa de alimentos e, principalmente, trabalha com absoluta paixão e prazer. “Acredito que cada cliente que entra na minha vida veio até mim por alguma razão. Acredito que tenho uma missão a cumprir na vida delas e que também tenho algo para aprender com elas. Em cada atendimento, planto uma sementinha de mudança que se inicia pelo guarda-roupa mas que se estende à relação delas com elas mesmas”, acrescenta.

“Estou muito realizada com este meu trabalho. Valeu a pena mudar para ser feliz.”

 

 

Os planos B de Belisário

Os planos B do Belisário

 

Belisário é um empreendedor. Nato. Não cursou escola de economia, muito menos administração. Não conhece a Endevor, nem a Fundação Getúlio Vargas. Sabe mais ou menos que existe um tal de Sebrae, mas nunca pensou em fazer um curso. Belisário é empírico, trabalhador e muito, muito gentil. Já fez de um tudo na vida. Nasceu na Paraíba e mudou-se jovem para a Bahia. Dirigiu caminhão, ônibus e trator. Teve oficina mecânica e com os rendimentos dela criou os três filhos, dois homens e uma menina. Tem duas casas próprias. Mora em uma e da outra recebe aluguel. Alugar coisas faz parte das listas de planos B do cara. Ele é craque.

 

Belisário é avô e aposentado. Quando largou a graxa da oficina mecânica, comprou a licença de um táxi. Isso foi muito antes do Uber e do aplicativo 99. Como acorda cedo e dorme tarde nunca dispensa corrida. Pode ser às seis da manhã ou às duas da madrugada. Dia de feriado ou véspera de Réveillon. Chega sempre, pontualíssimo. Faz traslados das praias do litoral norte de Salvador para o aeroporto. Para ele, não tem tempo ruim, nem viagem longa. Em casos de emergência, é ponta firme. Já levou viúva para velório do marido. Executivo com medo de avião para cidade com aeroporto. Criança pequena para casa da avó no interior.

 

Cada vez que liga o carro fatura, em média, R$ 100. De nota em nota, vai enchendo o seu pé de meia. Já comprou outros dois táxi, que arrenda para seus parentes. Plano B2 do seu plano A. E como tem garagem sobrando em casa, arrumou outros dois veículos para alugar por dia, sem burocracia, sem seguro pesado, na base da confiança. Tem um bugre amarelo fofo e um outro sedan, novinho e sofisticado, com ar, trio elétrico e outras modernidade.. “É plano C”, diz Batista. “O dinheiro não é seguro e certo, porque nem sempre tenho cliente. Mas acho que rende mais do que seu eu deixasse o dinheiro no banco”, analisa.

 

Belisário também é pescador. Quando não está rodando, estaciona o carro na beira da praia e corre atrás de peixe. Plano D, porque não? Mas peixe ele não vende, não. Dá de presente para os amigos. Gentil e contador de histórias, Belisário tem uma penca de amigos. Todo mundo gosta e confia nele. Por causa da disposição, da gentileza e da confiança, todo mundo procura Belisário em situações especiais ou de emergência. Foi assim no mês passado, quando um funcionário de uma grande montadora de Camaçari recebeu uma proposta de trabalho. O convite era para trabalhar em uma emprea concorrente no Paraná. Salário bom, promoção de cargo e desafio novo. Estava tudo certo para o José fazer a mudança. O único problema era o cachorro Prego, velhinho coitado. José achou que ele não aguentaria uma viagem de avião, trancado na gaiola dentro da área de carga.

 

– Ele é muito apegado. Gosta demais de gente. Precisa de carinho. Por favor, Belisário, quebra essa para mim? Leva o Prego de carro para Curitiba?

 

Foi assim em tom de súplica que José contratou o serviço com o seu fiel motorista. Belisário, claro, não negou. Especialmente depois de saber qual seria o pagamento.

 

  • Você foi muito bom para mim nestes anos em que morei aqui e agora fará um grande favor para a minha família. Vou te pagar bem. Para levar o Prego até Curitiba te darei o meu carro Gol de presente. Sou o único dono. Ele é 2004, mas parece novo.

 

Os olhos de Belisário brilharam. Além de ser um homem bom, é um homem de negócios. A oferta era irrecusável. O carro deveria valer uns R$ 10 mil e, no mais, transportar animais de estimação poderia ser um serviço novo na sua lista de planos B.

 

Belisário aceitou de pronto, feliz. Começou a organizar a viagem de Prego. Jeitoso, construiu uma caixa para o bicho ficar confortável durante os 2362 quilômetros da viagem. Convidou seu irmão, Bento, para ir junto e lhe fazer companhia. Fariam o trajeto em dois dias, parando no meio do caminho para dormir. Estava tudo certo até a antevéspera do passeio-serviço. O negócio melou na hora do Jornal Nacional, quando Maju, a moça do tempo, anunciou a temperatura na capital do Paraná.

 

“Nesta semana, os termômetros por lá não passam de 12 graus”.

 

“Doze graus? Eu não aguento esse frio, mulher”, disse Belisário, em pânico, à esposa que assistia o noticiário ao lado dele. “Vou morrer congelado. Não sou pinguim. Preciso arrumar um plano B já.”. Mestre no assunto, Belisário catou o celular e começou a ligar. Falou com um, falou com o outro até ter a ideia de convidar um sobrinho para acompanhar seu irmão. Não podia dar bandeira do motivo. “Vão me achar frouxo”, pensou. Com a proposta de uma boa gorjeta lá se foi a dupla rumo a Curitiba com Prego em sua casinha caixa na caçamba da camionete.

 

–“Você não imagina o que aconteceu. Quase perdi o amigo e cliente para todo o sempre”, contou Belisário, esbaforido, quando me buscou no aeroporto em minha última visita à terra Sagrada. “Aqueles dois trapalhões quase perderam o Prego na estrada.”

 

Curiosa e preocupada, faço silêncio e espero o fim da história que parece conversa de pescador das boas.

 

  • “Eles pararam para tomar um lanche na estrada e resolveram abrir a caixa para ver se estava tudo bem com o cachorro. O bicho, assustado, viu a cara daqueles dois estranhos e achou por bem fugir. Deu um olé neles e saiu correndo pelo posto de gasolina. A sorte é que o bicho não foi na direção da estrada, senão estava morto agora. Prego correu para o mato e os dois matutos saíram correndo atrás dele”, ri Belisário. “Imagina você meu irmão, que tem duas vezes o meu tamanho, portanto é muito mais gordo do que eu, correndo atrás do cachorro. Ele quase perdeu o bicho e as calças na carreira.”

 

Felizmente, deu tudo certo e Prego já está deitado em sua poltrona preferida na casa do novo gerente da Renault. Pergunto para Belisário, como ficou a divisão do dinheiro da venda do carro. Meio a meio?

 

  • “Que nada. Meu irmão, além de quase perder o cachorro, demorou tempão para voltar porque parou em São Paulo para conhecer a cidade e depois subiu por Minas Gerais para comprar cachaça e vender aqui no verão. Ou seja, ele passeou um bocado e ainda vai faturar com um plano B só dele. Por isso, paguei os custos do diesel, da dormida, da comida e dei 500 reais para cada. E está ótimo, não está?”

 

 

Belisário é um empreendedor. Nato. Não cursou escola de economia, muito menos administração. Não conhece a Endevor, nem a Fundação Getúlio Vargas. Sabe mais ou menos que existe um tal de Sebrae, mas nunca pensou em fazer um curso. Belisário é empírico, trabalhador e muito, muito gentil. Já fez de um tudo na vida. Nasceu na Paraíba e mudou-se jovem para a Bahia. Dirigiu caminhão, ônibus e trator. Teve oficina mecânica e com os rendimentos dela criou os três filhos, dois homens e uma menina. Tem duas casas próprias. Mora em uma e da outra recebe aluguel. Alugar coisas faz parte das listas de planos B do cara. Ele é craque.

Belisário é avô e aposentado. Quando largou a graxa da oficina mecânica, comprou a licença de um táxi. Isso foi muito antes do Uber e do aplicativo 99. Como acorda cedo e dorme tarde nunca dispensa corrida. Pode ser às seis da manhã ou às duas da madrugada. Dia de feriado ou véspera de Réveillon. Chega sempre, pontualíssimo. Faz traslados das praias do litoral norte de Salvador para o aeroporto. Para ele, não tem tempo ruim, nem viagem longa. Em casos de emergência, é ponta firme. Já levou viúva para velório do marido. Executivo com medo de avião para cidade com aeroporto. Criança pequena para casa da avó no interior.

Cada vez que liga o carro fatura, em média, R$ 100. De nota em nota, vai enchendo o seu pé de meia. Já comprou outros dois táxi, que arrenda para seus parentes. Plano B2 do seu plano A. E como tem garagem sobrando em casa, arrumou outros dois veículos para alugar por dia, sem burocracia, sem seguro pesado, na base da confiança. Tem um bugre amarelo fofo e um outro sedan, novinho e sofisticado, com ar, trio elétrico e outras modernidade.. “É plano C”, diz Batista. “O dinheiro não é seguro e certo, porque nem sempre tenho cliente. Mas acho que rende mais do que seu eu deixasse o dinheiro no banco”, analisa.

Belisário também é pescador. Quando não está rodando, estaciona o carro na beira da praia e corre atrás de peixe. Plano D, porque não? Mas peixe ele não vende, não. Dá de presente para os amigos. Gentil e contador de histórias, Belisário tem uma penca de amigos. Todo mundo gosta e confia nele. Por causa da disposição, da gentileza e da confiança, todo mundo procura Belisário em situações especiais ou de emergência. Foi assim no mês passado, quando um funcionário de uma grande montadora de Camaçari recebeu uma proposta de trabalho. O convite era para trabalhar em uma emprea concorrente no Paraná. Salário bom, promoção de cargo e desafio novo. Estava tudo certo para o José fazer a mudança. O único problema era o cachorro Prego, velhinho coitado. José achou que ele não aguentaria uma viagem de avião, trancado na gaiola dentro da área de carga.

– Ele é muito apegado. Gosta demais de gente. Precisa de carinho. Por favor, Belisário, quebra essa para mim? Leva o Prego de carro para Curitiba?

Foi assim em tom de súplica que José contratou o serviço com o seu fiel motorista. Belisário, claro, não negou. Especialmente depois de saber qual seria o pagamento.

“Você foi muito bom para mim nestes anos em que morei aqui e agora fará um grande favor para a minha família. Vou te pagar bem. Para levar o Prego até Curitiba te darei o meu carro Gol de presente. Sou o único dono. Ele é 2004, mas parece novo.”

Os olhos de Belisário brilharam. Além de ser um homem bom, é um homem de negócios. A oferta era irrecusável. O carro deveria valer uns R$ 10 mil e, no mais, transportar animais de estimação poderia ser um serviço novo na sua lista de planos B.

Belisário aceitou de pronto, feliz. Começou a organizar a viagem de Prego. Jeitoso, construiu uma caixa para o bicho ficar confortável durante os 2362 quilômetros da viagem. Convidou seu irmão, Bento, para ir junto e lhe fazer companhia. Fariam o trajeto em dois dias, parando no meio do caminho para dormir. Estava tudo certo até a antevéspera do passeio-serviço. O negócio melou na hora do Jornal Nacional, quando Maju, a moça do tempo, anunciou a temperatura na capital do Paraná.

“Nesta semana, os termômetros por lá não passam de 12 graus”.

“Doze graus? Eu não aguento esse frio, mulher”, disse Belisário, em pânico, à esposa que assistia o noticiário ao lado dele. “Vou morrer congelado. Não sou pinguim. Preciso arrumar um plano B já.”. Mestre no assunto, Belisário catou o celular e começou a ligar. Falou com um, falou com o outro até ter a ideia de convidar um sobrinho para acompanhar seu irmão. Não podia dar bandeira do motivo. “Vão me achar frouxo”, pensou. Com a proposta de uma boa gorjeta lá se foi a dupla rumo a Curitiba com Prego em sua casinha caixa na caçamba da camionete.

–“Você não imagina o que aconteceu. Quase perdi o amigo e cliente para todo o sempre”, contou Belisário, esbaforido, quando me buscou no aeroporto em minha última visita à terra Sagrada. “Aqueles dois trapalhões quase perderam o Prego na estrada.”

Curiosa e preocupada, faço silêncio e espero o fim da história que parece conversa de pescador das boas.

“Eles pararam para tomar um lanche na estrada e resolveram abrir a caixa para ver se estava tudo bem com o cachorro. O bicho, assustado, viu a cara daqueles dois estranhos e achou por bem fugir. Deu um olé neles e saiu correndo pelo posto de gasolina. A sorte é que o bicho não foi na direção da estrada, senão estava morto agora. Prego correu para o mato e os dois matutos saíram correndo atrás dele”, ri Belisário. “Imagina você meu irmão, que tem duas vezes o meu tamanho, portanto é muito mais gordo do que eu, correndo atrás do cachorro. Ele quase perdeu o bicho e as calças na carreira.”

Felizmente, deu tudo certo e Prego já está deitado em sua poltrona preferida na casa do novo gerente da Renault. Pergunto para Belisário, como ficou a divisão do dinheiro da venda do carro. Meio a meio?

“Que nada. Meu irmão, além de quase perder o cachorro, demorou tempão para voltar porque parou em São Paulo para conhecer a cidade e depois subiu por Minas Gerais para comprar cachaça e vender aqui no verão. Ou seja, ele passeou um bocado e ainda vai faturar com um plano B só dele. Por isso, paguei os custos do diesel, da dormida, da comida e dei 500 reais para cada. E está ótimo, não está?”

 

 

 

 

 

Qual é a sua autoindulgência?

Fui militante. Sou militante. As causas são diferentes. As causas, no fundo, são as mesmas. Porque eu mudei e fiquei igual. Bem daquele jeito que dizia Giuseppe Lampeduza no livro O Leopardo (o filme do Visconti é a mais bela versão de livro em película que já vi). Há 35 anos, minha causa era a justiça social, uma causa brotada na Revolução Francesa, à base de Igualdade, Liberdade e Fraternidade. À época, chamava-se socialismo.
Hoje, minha causa é a justiça social, a igualdade de gênero e raça, o consumo consciente e a mobilidade urbana. Não tem mais nome, porque os políticos conseguiram acabar com os ismos do meu tempo. Mas o desejo é o mesmo, só que fragmentado em capítulos para termos a impressão de que um dia vamos dar conta de pelo menos um deles.
Hoje falei sobre consumo consciente em uma palestra na Casa TPM (um evento lindo, criado para as leitoras e fãs da marca, que acontece no Clube Nacional, em São Paulo. A boa notícia é que no passado o clube era proibido para mulheres e hoje éramos maioria por lá). Este assunto me é caro. Depois que perdi o crachá precisei rever todas as minhas muitas contas e mudar o meu padrão de consumo. Vendi carro, celular, cancelei pacote plus de canal a cabo, cortei restaurante estrelado da minha vida, deixei de comprar roupa, parei de desperdiçar comida e passei a cuidar com atenção e carinho de cada tostão.
É difícil ? Não. É sofrido? Não. É complicado? Para mim, não. Friso o pronome pessoal.
Para mim não é difícil, nem sofrido ou complicado porque minha autoindulgência nunca, jamais, em tempo algum se deu pelo consumo. Não coleciono joias, bolsas ou sapatos. Depois que perdi do emprego, trabalho em casa ou na minha pousada (www.pousadaacapela.com.br) de bermuda, camiseta e havaianas. Sou feliz assim, às vezes, parecendo um molambo. O que tenho pendurado no armário dá para três encarnações.
Sei, no entanto, que muitas pessoas sentem muito prazer ao fazer compras. Elas se dão carinho, se agradam com o cartão de crédito em mãos. Entendo que para elas é difícil mudar de hábito. É tão violento e disruptivo como parar de fumar. Ou deixar de beber. Ou banir a carne ou o doce do cardápio. É uma escolha. Pessoal e intransferível. Acho que vale a pena, especialmente para aqueles que perderam renda e precisam colocar as contas em dia. Deixar de gastar, permitirá mais fôlego para seguir procurando uma nova ocupação ou uma nova fonte de renda. Com o movimento, a autoindulgência da semana pode ser tirar uma tarde de folga. Ficar de papo para o ar no parque. Ler um livro. Andar de bike pela cidade. Brincar com o filho depois da escola. Namorar. Assistir aquele DVD esquecido debaixo da poeira. Faço isso de vez em quando e é bom demais.

Meus amigos são a minha cauda longa

 

Hoje recebi um zilhão de mensagens carinhosas de pessoas queridas comemorando o dia do amigo. Sou chata e odeio essas datas. A que eu mais detesto é o dia da Mulher, que me lembra que eu sou igual ao Mico Leão Dourado em termos de fraqueza e fragilidade políticas, apesar de pertencer ao gênero mais populoso do mundo. Hoje passei o dia pensando sobre o significado de “cauda longa”, o tal do mercado diversificado e de nichos, e de como só pensei em ter uma quando a necessidade falou mais alto. Agora, a poucos minutos de amanhã, tive uma luz. Melhor, vi uma luz. Os amigos foram e são a minha cauda longa, sempre. Vou explicar.

Vamos aos fatos. A pousada A Capela, meu dileto plano A, inaugurou há dois anos e meio com 100% de ocupação graças à reserva de amigos, que serviram de apoio e esteio e foram legítimas cobaias. João, Georgia, Vanessa, Juju, Patrícia e Cida sobreviveram a nossa inexperiência e nos ajudaram a melhorar muito. Eram queridos. Eram nichados. Depois deles, vieram mil outros. São carinhosos, verdadeiros e inspiradores. Perdoam nossas falhas. Colaboram com críticas e ajudam ao compartilhar a experiência da nossa hospedagem. Estão por perto sempre no inverno, primavera, verão e outono. Sem eles não haveria nem plano A, B ou C.

Falo disso no meu livro A Vida Sem Crachá, editado pelos também amicíssimos Carol e Kaíke, a ser lançado no dia 25 de agosto na livraria do Shopping Iguatemi de São Paulo, e que dependerá dos amigos para entrar na lista dos mais vendidos. Preciso de todos para superar o medo e o trauma de ficar lá sozinha.

Hoje, no dia do amigo, fechei o meu primeiro trabalho de consultoria em gestão de pousadas. A cliente é uma amiga de mais de 30 anos, Lina, que está acreditando nessa minha nova competência. Sem ela, a cauda longa da minha vida sem crachá seguiria um cotoco. A mesma motivação vem do amigo Nélio, outro companheiro de longa data, que está batalhando por uma palestra em BH para esticar os tentáculos dessa que vos escreve. Consultora e palestrante são a minha cauda particular.

O rabo comprido e vistoso também é um desejo da pousada. Graças a sugestão da minha amiga e sócia Nil, começamos hoje a fazer serviço de transfer do aeroporto para a pousada. E da pousada para o aeroporto. Em breve, teremos um cardápio que incluirá passeio de barco, aluguel de carro e buggy e serviço de massagem e manicure para os hóspedes. Mais moedas no caixa. Mais atenção e dedicação aos clientes.

Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito. Com a ajuda dos meus amigos fotógrafos, Camila, Nellie, André, Fábio e Sérgio, vou reaprender a fotografar no modo digital a partir deste segundo semestre. O foco é, novamente, a cauda longa. Desejo fotografar para os casamentos da pousada a partir de 2016. Um desafio e tanto. Um aprendizado do tamanho do mundo para quem começou a clicar com negativo e cromo e fez um milhar de passageiros. O que é fazer passageiro? Quem tem mais de 45 sabe.

A dois minutos do final do dia do amigo, concluo essa pensata com um verso do Mário Quintana mais popular que chuchu na serra das redes sociais e mais verdadeiro do que a certeza de que me chamo Claudia:

“amizade é amor que nunca morre”.

Já perdi amigos por causa da distância e de mal-entendidos, mas continuo amando-os como ontem. Meus amigos são a cauda que abana de felicidade e prosperidade a minha vida. Obrigada, amigos.

A melhor coxinha do mundo

Descobrir o talento é um divisor de água. Algumas pessoas nascem com habilidades tão evidentes que isso está longe de ser um problema. Mozart compôs sua primeira sinfonia aos cinco anos. Pelé ganhou sua primeira Copa do Mundo aos 17. Mark Zuckerberg fundou o Facebook aos 20. Pessoas normais também se revelam cedo. Minha sócia, Nil Pereira, aprendeu a fazer a melhor coxinha do mundo aos 15 anos, quando ainda morava em sua cidade Natal, Ilhéus. Aprendeu com a mãe dela, dona Aidil, para juntar um dinheirinho e comprar um sapato “cavalo de aço”. Para quem não é das antigas, a explicação: cavalo de aço é um sapato de couro com salto plataforma, que fez muito sucesso na época da Jovem Guarda.

Nascida na terra do cacau, Nil não era filha de fazendeiro rico. Longe disso, dividia o orçamento de classe média com outros quatorze irmãos. Por isso, desenvolveu seu dotes culinários, dignos de Gabriela, para subir na vida. Começou fazendo coxinhas para fornecer às cantinas das escolas da cidade. Foi ficando craque e rápida. Uma coxinha por minuto. Sessenta coxinhas por hora. Um real por coxinha, 60 reais por hora em dinheiro de hoje. A conta se tornou exponencial quando Nil se mudou para Salvador, a capital. Na época, o dinheiro era cheio de zeros e a inflação comia o resultado do trabalho no final do dia. A produção era alta. Uma média entre 800 e mil coxinhas por dia, que eram vendidas em lanchonetes, barracas de rua e cantinas de colégio. Nos finais de semana, a produção migrava para festas familiares e casamentos. O lucro não era exatamente espetacular, mas dava para pagar a conta do aluguel de um apartamentinho na Barra, condomínio, gastos pessoais e um dinheirinho para a farra do final de semana. Estamos falando dos 80, os melhores anos da vida de quem já ultrapassou a barreira dos 50.

A coxinha da Nil virou um ícone cult. Especialmente quando ela deixou de fazê-las profissionalmente. Nos anos 90, ela se tornou uma das maiores produtoras de evento da Bahia, o quitute tornou-se exclusivo dos amigos e parentes. Vez por outra, um coro de famintos pedia que ela fizesse a guloseima. E ela, orgulhosa, ia para cozinha preparar a massa, o frango e o recheio. Como se trata de evento, nestas ocasiões ela monta uma bancada e faz as coxinhas ao vivo e a cores para todos verem e aplaudirem a sua habilidade. É quase um happening. Como ela tem um metro e meio de altura, sua modéstia não é proporcional ao tamanho. Ela diverte todos definindo-se como a melhor fazedora de coxinhas do mundo. Como a mais rápida de todos. Como a mais perfeitas. Todos riem. Quem discute, toma uma tapada de primeira. “Eu sei fazer coxinhas. E você, sabe fazer o quê?”

Quando ouvi a pergunta pela primeira vez, calei. Sei escrever mais ou menos. Escrever não enche a barriga de ninguém. Vou roubar uns versos da música Língua de Caetano que têm duplo sentido e cabem perfeitamente para fechar este texto:

Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
Minha pátria é minha língua
Fala Mangueira

Comecei minha jornada assim. Fazendo coxinha! Hoje estou fazendo a Coxinha da Nil para meus amigos e hóspedes queridos! #pousadacapela #coxinhadanil

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